Resiliência e Prática Escolar
O texto apresentado a seguir baseia-se no
artigo Resiliência e Prática Escolar: Uma Revisão Crítica, escrita por
Indinalva Nepomuceno Fajardo, Maria Cecilia de Souza Minayo e Carlos Otávio
Fiúza Moreira.
Na área de engenharia, materiais com alto
valor de resiliência são aqueles materiais que têm alto limite de elasticidade,
mesmo que uma determinada força atue sobre o material, o material absorve a
energia, mas não adquire deformações permanentes, cessado a força que atua
sobre o material, o mesmo retorna ao seu formato original, quanto maior for o
limite de elasticidade, maior será a força que o material agüenta sem que
ocorram deformações permanentes em sua estrutura.
Logo após, a psicologia e as ciências humanas
adaptaram o conceito de resiliência, para estas ciências um ser humano
resiliente é aquele que mesmo diante da adversidade, dos problemas, mesmo a
pessoa ficando momentaneamente abalada, logo a pessoa processa o ocorrido,
verifica o que é possível ser feito, reage, supera o problema e muitas vezes
sai da situação muito mais fortalecida do que quando entrou.
Pelo artigo que se baseia este texto, de
forma resumida, é possível perceber que existem na literatura sobre o assunto,
duas visões diferentes e em minha opinião complementares, uma das visões do
assunto fala que a resiliência é algo interno, psicológico e que depende de
cada pessoa ser ou não resiliente, outra visão aponta que a resiliência depende
muito do meio, do clima do ambiente, das condições de trabalho, nesta visão, a
mesma pessoa pode ser resiliente em um ambiente e passar por grandes
dificuldades em outro, não conseguir a resiliência necessária para superar os
desafios e sucumbir.
A primeira visão, aquela que defende que o
ser humano é ou não resiliente, tudo depende muito da forma como foi criado
quando era pequeno, da estrutura familiar, da forma como foi reagindo às
adversidades vai formando a estrutura psicológica da pessoa, essa estrutura
pode ser “forte”, resistente, ou seja, resiliente, ou pode ser “fraca”, frágil,
em que qualquer adversidade a pessoa pode se frustrar, sofrer o golpe e
sucumbir, essa visão da resiliência é a visão da psicanálise sobre o assunto.
É fundamental, um pré-requisito necessário
que o docente tenha essa estrutura psicológica muito bem estabelecida, “forte”,
resiliente, um professor que se frustra com qualquer coisa que um aluno falar,
que pensa que todos estão contra ele, que a turma não gosta dele e de suas
aulas, que os alunos não querem nada com nada e nunca vão fazer um bom
trabalho, que não vale a pena elaborar uma boa aula, que é perda de tempo, que
ninguém vai prestar atenção, que qualquer coisa que acontece em sala de aula o
docente “trava” e não sabe o que fazer, que não consegue superar certas
situações, esse perfil de pessoa não serve para ser docente.
Um docente “de verdade”, que tem o perfil de
docente é aquele que acredita nas pessoas, em seus alunos, acredita que a
educação pode mudar as pessoas e o país, recebe as críticas como algo bom e que
pode agregar melhorias em suas aulas, é aquele que percebe o clima da turma
naquele dia e adapta sua aula para melhor se adequar aquela situação, que
percebe que a estratégia não foi boa, não fica se culpando, se lamentando,
pensa em algo diferente e altera a estratégia de aula antes da aula “desandar”,
por conhecer o perfil dos alunos sabe o que cada um mais ou menos sabe e que
assunto os alunos se interessam, contextualizando os assuntos da aula conforme
a realidade e perfil dos alunos, claro que existem vários problemas na educação
brasileira, muitos alunos realmente não vão para a aula para aprender, muitos
alunos vão para a aula cansados, com várias defasagens de conteúdo, muitas
vezes existe o problema de violência, tráfico de drogas, não têm alguns
recursos disponíveis, as condições de trabalho pode talvez não ser a ideal, mas
são coisas que o professor tem que superar, toda profissão tem seus desafios a
serem superados, o docente tem que tentar fazer o melhor trabalho possível,
afinal de contas tem professores que conseguem fazer trabalhos de destaque
nacional, mundial em condições de trabalho muito adversas, enfim, ter
resiliência é algo fundamental, já é um grande passo para conseguir ter sucesso
profissional como docente.
A resiliência geralmente trás consigo algumas
outras qualidades que também são fundamentais para um bom docente, a
autoconfiança é uma das qualidades essenciais, se o professor não confia em si
próprio como vai dar aula, como é que vai ter sucesso profissional, se nem ele
confia em si próprio, persistência, se algo não dá certo, tenta de outra forma,
uma hora as coisas se ajeitam, outra característica importante do bom docente é
ter criatividade, se algo está dando errado, inventa outras formas de trabalhar
o mesmo conteúdo, tenta fazer com que o aluno participe mais das aulas, bom
humor é outra característica fundamental, um professor de bom humor deixa a
aula mais alegre, divertida, deixa a aula em um clima legal, que facilita o
aprendizado, liderança, um bom docente tem que saber a hora de chamar a
atenção, de brincar, tem que conseguir gerenciar bem o tempo, logicamente tem
que ter a capacidade de produzir conhecimento, afinal de contas o papel do
professor é transmitir o seu conhecimento, tem que ter um bom relacionamento
interpessoal, um bom docente tem que gostar de lidar com pessoas e conseguir se
relacionar com pessoas com os mais diversos perfis, além de ser uma pessoa que
tenha a capacidade de sonhar, que acredite nas pessoas, na educação, em um país
melhor, mais justo.
Concordo com essa visão psicanalista da
resiliência, pois, uma pessoa que não é resiliente, talvez seja realmente muito
difícil se tornar resiliente ao longo da vida, mas uma pessoa que possui uma
estrutura psicológica boa, que é uma pessoa resiliente, tudo é mais fácil,
porque ela sofre menos as adversidades, pois, está mais preocupada em resolver,
superar os desafios do que ficar se preocupando, sofrendo com algo que deu
errado, e ser resiliente é uma qualidade essencial para o sucesso de um
docente.
A segunda visão, aquela que fala que o meio,
o ambiente influi se uma pessoa vai ser resiliente ou não a uma determinada
situação e que mesmo a pessoa mais resiliente possível, pode sucumbir se ficar
por muito tempo em uma situação extrema, concordo com essa teoria que é a visão
comportamentalista sobre resiliência, o ambiente pode tornar uma pessoa mais ou
menos resiliente, assim como, o docente pode conseguir superar situações
adversas e sair fortalecido, o meio também pode influenciar e fazer com que a
pessoa sinta dificuldades de sair de determinadas situações, assim como, a
estrutura psicológica, a resiliência do professor e o meio pode influenciar na
resiliência dos alunos, afinal de contas, em uma sala de aula estão presentes
vários perfis de alunos, várias estruturas psicológicas diferentes, ao trocar
experiências, conhecimentos com as outras pessoas poderá tanto tornar os
próprios alunos mais ou talvez menos resilientes, um dos desafios do docente é
transformar o ambiente, caso não seja o ideal, para o melhor ambiente possível
para que o meio auxilie, facilite a aprendizagem.
Para concluir, ser resiliente é algo fundamental
para ter uma carreira de sucesso como docente, o docente tem que ter a
capacidade de superar as adversidades, os desafios diários da profissão, concordo
com a visão psicanalítica da resiliência onde o docente tem que ter em sua
estrutura psicológica essa resiliência, deve possuir uma estrutura “forte”,
resistente, onde a resiliência depende de sua estrutura interna, se a pessoa
não possuir em seu interior essa estrutura resiliente, fica difícil adquirir
essa resiliência no meio, no ambiente, assim como, muitas pessoas não são
resilientes e talvez nunca cheguem a ser por problemas exatamente na estrutura
psicológica que é problemática, também concordo com a visão comportamentalista
que diz que o ambiente pode auxiliar a pessoa ser ou não resiliente, uma pessoa
possui capacidades limitadas, mesmo a pessoa mais resiliente se estiver sujeito
a situações extremas poderá fracassar, em uma sala de aula o docente também
pode transformar o meio em um ambiente adequado para o aprendizado e
transformar os seus alunos em pessoas mais ou menos resilientes, enfim, em
minha opinião, as teorias psicanalítica e comportamentalista não são opostas,
apenas tem formas de ver o mundo, as coisas de formas diferentes e são em minha
opinião complementares. Link Para o Artigo:
https://drive.google.com/file/d/0B1luG3N-Be_vc28xeU9acHRJSG8/view?usp=sharing
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