sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Resiliência e Prática Escolar


O texto apresentado a seguir baseia-se no artigo Resiliência e Prática Escolar: Uma Revisão Crítica, escrita por Indinalva Nepomuceno Fajardo, Maria Cecilia de Souza Minayo e Carlos Otávio Fiúza Moreira.
Na área de engenharia, materiais com alto valor de resiliência são aqueles materiais que têm alto limite de elasticidade, mesmo que uma determinada força atue sobre o material, o material absorve a energia, mas não adquire deformações permanentes, cessado a força que atua sobre o material, o mesmo retorna ao seu formato original, quanto maior for o limite de elasticidade, maior será a força que o material agüenta sem que ocorram deformações permanentes em sua estrutura.
Logo após, a psicologia e as ciências humanas adaptaram o conceito de resiliência, para estas ciências um ser humano resiliente é aquele que mesmo diante da adversidade, dos problemas, mesmo a pessoa ficando momentaneamente abalada, logo a pessoa processa o ocorrido, verifica o que é possível ser feito, reage, supera o problema e muitas vezes sai da situação muito mais fortalecida do que quando entrou.
Pelo artigo que se baseia este texto, de forma resumida, é possível perceber que existem na literatura sobre o assunto, duas visões diferentes e em minha opinião complementares, uma das visões do assunto fala que a resiliência é algo interno, psicológico e que depende de cada pessoa ser ou não resiliente, outra visão aponta que a resiliência depende muito do meio, do clima do ambiente, das condições de trabalho, nesta visão, a mesma pessoa pode ser resiliente em um ambiente e passar por grandes dificuldades em outro, não conseguir a resiliência necessária para superar os desafios e sucumbir.
A primeira visão, aquela que defende que o ser humano é ou não resiliente, tudo depende muito da forma como foi criado quando era pequeno, da estrutura familiar, da forma como foi reagindo às adversidades vai formando a estrutura psicológica da pessoa, essa estrutura pode ser “forte”, resistente, ou seja, resiliente, ou pode ser “fraca”, frágil, em que qualquer adversidade a pessoa pode se frustrar, sofrer o golpe e sucumbir, essa visão da resiliência é a visão da psicanálise sobre o assunto.
É fundamental, um pré-requisito necessário que o docente tenha essa estrutura psicológica muito bem estabelecida, “forte”, resiliente, um professor que se frustra com qualquer coisa que um aluno falar, que pensa que todos estão contra ele, que a turma não gosta dele e de suas aulas, que os alunos não querem nada com nada e nunca vão fazer um bom trabalho, que não vale a pena elaborar uma boa aula, que é perda de tempo, que ninguém vai prestar atenção, que qualquer coisa que acontece em sala de aula o docente “trava” e não sabe o que fazer, que não consegue superar certas situações, esse perfil de pessoa não serve para ser docente.
Um docente “de verdade”, que tem o perfil de docente é aquele que acredita nas pessoas, em seus alunos, acredita que a educação pode mudar as pessoas e o país, recebe as críticas como algo bom e que pode agregar melhorias em suas aulas, é aquele que percebe o clima da turma naquele dia e adapta sua aula para melhor se adequar aquela situação, que percebe que a estratégia não foi boa, não fica se culpando, se lamentando, pensa em algo diferente e altera a estratégia de aula antes da aula “desandar”, por conhecer o perfil dos alunos sabe o que cada um mais ou menos sabe e que assunto os alunos se interessam, contextualizando os assuntos da aula conforme a realidade e perfil dos alunos, claro que existem vários problemas na educação brasileira, muitos alunos realmente não vão para a aula para aprender, muitos alunos vão para a aula cansados, com várias defasagens de conteúdo, muitas vezes existe o problema de violência, tráfico de drogas, não têm alguns recursos disponíveis, as condições de trabalho pode talvez não ser a ideal, mas são coisas que o professor tem que superar, toda profissão tem seus desafios a serem superados, o docente tem que tentar fazer o melhor trabalho possível, afinal de contas tem professores que conseguem fazer trabalhos de destaque nacional, mundial em condições de trabalho muito adversas, enfim, ter resiliência é algo fundamental, já é um grande passo para conseguir ter sucesso profissional como docente.
A resiliência geralmente trás consigo algumas outras qualidades que também são fundamentais para um bom docente, a autoconfiança é uma das qualidades essenciais, se o professor não confia em si próprio como vai dar aula, como é que vai ter sucesso profissional, se nem ele confia em si próprio, persistência, se algo não dá certo, tenta de outra forma, uma hora as coisas se ajeitam, outra característica importante do bom docente é ter criatividade, se algo está dando errado, inventa outras formas de trabalhar o mesmo conteúdo, tenta fazer com que o aluno participe mais das aulas, bom humor é outra característica fundamental, um professor de bom humor deixa a aula mais alegre, divertida, deixa a aula em um clima legal, que facilita o aprendizado, liderança, um bom docente tem que saber a hora de chamar a atenção, de brincar, tem que conseguir gerenciar bem o tempo, logicamente tem que ter a capacidade de produzir conhecimento, afinal de contas o papel do professor é transmitir o seu conhecimento, tem que ter um bom relacionamento interpessoal, um bom docente tem que gostar de lidar com pessoas e conseguir se relacionar com pessoas com os mais diversos perfis, além de ser uma pessoa que tenha a capacidade de sonhar, que acredite nas pessoas, na educação, em um país melhor, mais justo.
Concordo com essa visão psicanalista da resiliência, pois, uma pessoa que não é resiliente, talvez seja realmente muito difícil se tornar resiliente ao longo da vida, mas uma pessoa que possui uma estrutura psicológica boa, que é uma pessoa resiliente, tudo é mais fácil, porque ela sofre menos as adversidades, pois, está mais preocupada em resolver, superar os desafios do que ficar se preocupando, sofrendo com algo que deu errado, e ser resiliente é uma qualidade essencial para o sucesso de um docente.
A segunda visão, aquela que fala que o meio, o ambiente influi se uma pessoa vai ser resiliente ou não a uma determinada situação e que mesmo a pessoa mais resiliente possível, pode sucumbir se ficar por muito tempo em uma situação extrema, concordo com essa teoria que é a visão comportamentalista sobre resiliência, o ambiente pode tornar uma pessoa mais ou menos resiliente, assim como, o docente pode conseguir superar situações adversas e sair fortalecido, o meio também pode influenciar e fazer com que a pessoa sinta dificuldades de sair de determinadas situações, assim como, a estrutura psicológica, a resiliência do professor e o meio pode influenciar na resiliência dos alunos, afinal de contas, em uma sala de aula estão presentes vários perfis de alunos, várias estruturas psicológicas diferentes, ao trocar experiências, conhecimentos com as outras pessoas poderá tanto tornar os próprios alunos mais ou talvez menos resilientes, um dos desafios do docente é transformar o ambiente, caso não seja o ideal, para o melhor ambiente possível para que o meio auxilie, facilite a aprendizagem.
Para concluir, ser resiliente é algo fundamental para ter uma carreira de sucesso como docente, o docente tem que ter a capacidade de superar as adversidades, os desafios diários da profissão, concordo com a visão psicanalítica da resiliência onde o docente tem que ter em sua estrutura psicológica essa resiliência, deve possuir uma estrutura “forte”, resistente, onde a resiliência depende de sua estrutura interna, se a pessoa não possuir em seu interior essa estrutura resiliente, fica difícil adquirir essa resiliência no meio, no ambiente, assim como, muitas pessoas não são resilientes e talvez nunca cheguem a ser por problemas exatamente na estrutura psicológica que é problemática, também concordo com a visão comportamentalista que diz que o ambiente pode auxiliar a pessoa ser ou não resiliente, uma pessoa possui capacidades limitadas, mesmo a pessoa mais resiliente se estiver sujeito a situações extremas poderá fracassar, em uma sala de aula o docente também pode transformar o meio em um ambiente adequado para o aprendizado e transformar os seus alunos em pessoas mais ou menos resilientes, enfim, em minha opinião, as teorias psicanalítica e comportamentalista não são opostas, apenas tem formas de ver o mundo, as coisas de formas diferentes e são em minha opinião complementares. 

Link Para o Artigo:

https://drive.google.com/file/d/0B1luG3N-Be_vc28xeU9acHRJSG8/view?usp=sharing

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